domingo, 24 de dezembro de 2017

Os dias que não voltam mais...


Tudo começava com o desembrulhar das peças do presépio que minha avó guardava embrulhados cuidadosamente em papel de seda...

Depois da montagem do presépio, peça por peça, vinham os enfeites, também guardados com muito cuidado e colocados num pinheirinho natural, que ficava no pátio da casa durante todo o ano para ser colocado na sala na época do natal.

Eram tantos detalhes, antes e durante o Natal que a casa da minha avó parecia a própria casa do Natal! Eram as toalhas, os enfeites diversos, a tradicional salada roxa, existente só na minha família, que veio de geração após geração da família Krischke...

Lembro de "ajudar" minha tia no bolo de natal e no Bolei (um ponche com frutas picadas, gelo, guaraná e espumante).

A medida em que a hora da ceia ia chegando, a casa se enchia do cheiro do lombinho de porco assado no forno durante horas... Era o próprio cheiro do Natal para mim.

Os presentes eram colocados na lareira e não embaixo do pinheiro, como tradicionalmente fazem na maioria das casas... Acho que tinha alguma coisa a ver com o Papai Noel entrar pela chaminé... Coisas da minha vó, que era a própria representação do Natal.

Parecia que ela vivia o ano inteiro no aguardo desta data, fora todos esses detalhes materiais, a própria casa dela respirava e transpirava Natal, era o próprio Espírito Natalino presente lá...

Foram anos muito felizes, parecia que Natal fora de lá não era Natal, eram as músicas e belos hinos religiosos da Igreja Anglicana da qual minha vó era organista desde muito jovem...

Eram as conversas descontraídas e sempre engraçadas da minha tia, a presença do meu pai quando ainda vivo, minha mãe, dos irmão, da prima (e algumas vezes das primas que moravam em outro estado e do tio também) A expectativa do presente da nossa tia avó, que sempre nos dava algo especial em razão das condições financeiras e generosidade dela...

Enfim, acho que todo mundo tem suas lembranças de natal, mas as da minha infância foram tão boas que sempre sinto saudades, principalmente nesta época do ano, quando chega mais uma vez o Natal.

Não tenho mais a presença da minha avó, do meu pai e de tudo que fazia aquele ser um Natal mágico e único pra mim, mas neste vou poder estar com minha filha e isso é o que poderia haver de melhor neste momento pra mim!

Espero que em algum lugar, em alguma dimensão, vamos estar todos juntos novamente, antigos, atuais e futuros parentes e amigos desse Espírito que nunca morre!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Como é difícil...

Viver num mundo que não vejo sentido.

As poucas coisas que faziam algum sentido foram embora, e o pouco que resta está indo... Dia após dia.

Primeiro foi a mulher, depois a casa, depois o não poder entrar em casa, depois outro homem na casa, com minha vida, minha mulher, minha filha e até meus cachorros...
E alguns resquícios de objetos, nada muito "significativo", tipo a nossa cama, o nosso colchão, essas "coisinhas" nada íntimas.

Mas há quem pense que deveria achar normal, que não há humilhação nisso tudo...
Talvez eu seja mesmo o louco da história e tudo isso seja normal.

E se isso é o normal então o a-normal sou eu realmente.

Praticamente impossível viver num mundo assim, um mundo que pra mim não faz mais sentido, pois o que fazia sentido foi tirado de mim, da forma mais natural possível, sem ninguém perceber, sem ninguém se importar, pois o anormal, o louco sou eu... 
Já está definido.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Poema da Depressão


Vida sem sentido... 
Morte sem sentido... 
Nada faz sentido... 
Vida vazia, sem sentido... 
Ninguém me aguenta, eu não aguento ninguém... 
Vida vazia, vida sem sentido... 
Morte vazia, morte sem sentido...
Ter consciência disso é o próprio inferno...
Não se anda pra frente, nem pra trás, nem pra cima, nem pra baixo, nem para um lado, nem para outro... 
Vida estagnada... 
É difícil viver, é difícil morrer... 

Cristiano Krischke